Por: Equipe Ukhomie
Muitas mulheres que vivem com endometriose contam a mesma história. A dor começou cedo. No início diziam que era normal. Depois disseram que era apenas uma menstruação mais forte. Algumas ouviram que era ansiedade, stress ou algo que “faz parte de ser mulher”.
E assim passam anos.
A endometriose é uma doença relativamente comum. Estima-se que afete cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva. Ainda assim, o diagnóstico muitas vezes demora muito tempo. Em vários países, estudos mostram que pode levar entre 5 e 10 anos até que a doença seja finalmente identificada. Em alguns casos esse tempo pode chegar a mais de uma década. 
A pergunta que surge é simples.
Por que uma doença relativamente comum leva tanto tempo para ser diagnosticada?
Uma das razões está na forma como os sintomas aparecem. A endometriose pode causar dor menstrual intensa, dor pélvica persistente, dor durante relações sexuais, problemas intestinais, fadiga ou dificuldade para engravidar. O problema é que muitos desses sintomas também aparecem em outras condições. Isso faz com que, muitas vezes, a doença seja confundida com outras causas ou tratada apenas como uma menstruação dolorosa.
Outro fator importante é a normalização da dor. Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor durante a menstruação é algo normal. Quando os sintomas começam, elas podem demorar a procurar ajuda médica porque acreditam que aquilo faz parte do ciclo menstrual.
Mesmo quando procuram ajuda, o caminho até o diagnóstico pode ser longo. Algumas mulheres consultam vários profissionais de saúde antes de receberem a resposta correta. Estudos mostram que muitas pacientes relatam ter recebido diagnósticos errados ao longo do caminho, desde problemas intestinais até questões psicológicas.
Existe também uma dificuldade médica real. A endometriose não é uma doença fácil de identificar apenas com exame físico. Em muitos casos, o diagnóstico definitivo depende de exames de imagem específicos ou até de cirurgia laparoscópica para confirmar a presença das lesões. Isso torna o processo mais demorado e complexo.
Enquanto o diagnóstico não chega, a doença continua a afetar a vida da paciente. A dor crónica pode interferir no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e na saúde mental. Algumas mulheres relatam sentir ansiedade, frustração ou até isolamento por não serem compreendidas durante esse período.
Nos últimos anos, especialistas têm defendido mais informação sobre saúde menstrual, mais formação médica sobre a doença e maior atenção aos relatos das pacientes. Quanto mais cedo os sintomas forem reconhecidos, maiores são as chances de iniciar tratamento e reduzir o impacto da doença na vida da mulher.
Por isso, uma mensagem importante precisa ser repetida.
Dor menstrual incapacitante não deve ser considerada normal.
Quando a dor interfere nas atividades diárias, quando as cólicas são intensas ou quando existem outros sintomas associados, procurar avaliação médica pode fazer toda a diferença.
Em muitos casos, o primeiro passo para encurtar anos de sofrimento começa simplesmente por ouvir com atenção aquilo que o corpo está a dizer.
Referências:
Medical News Today. Why does receiving a diagnosis of endometriosis take so long.
De Corte P. et al. Time to Diagnose Endometriosis: Current Status and Challenges.
Independent. Endometriosis diagnosis delays and waiting times.
Endometriosis UK. Getting diagnosed.